Simeão toma o Menino nos braços

Simeão toma o Menino nos braços, mas na realidade é Ele que o agarra e conduz

Com os olhos da mente, fixemos o ícone da Virgem Mãe, Maria, que caminha com o Menino Jesus nos braços.

Os braços da Mãe são como que a «escada» pela qual o Filho de Deus desce até nós, a escada da condescendência de Deus. Cristo «teve de assemelhar-Se em tudo aos seus irmãos, para Se tornar um Sumo Sacerdote misericordioso e fiel» (Heb 2, 17). É duplo o caminho de Jesus: desceu, fez-Se como nós, para subir ao Pai juntamente connosco, fazendo-nos como Ele. Podemos contemplar o âmago deste movimento, imaginando a cena evangélica de Maria que entra no templo com o Menino nos braços. Nossa Senhora caminha, mas o Filho caminha antes d’Ela. Ela leva-O, mas é Ele que A leva neste caminho de Deus que vem a nós para podermos ir até Ele.

Na narração da Apresentação de Jesus no Templo, a sabedoria é representada por dois anciãos, Simeão e Ana: pessoas dóceis ao Espírito Santo, conduzidas por Ele, animadas por Ele. O Senhor concedeu-lhes a sabedoria através dum longo caminho pela via da obediência à sua lei. Os dois celebram uma espécie de liturgia à volta do Menino que entra no Templo: Simeão louva o Senhor e Ana «prega» a salvação (cf. Lc 2, 28-32.38).

Como no caso de Maria, também o velho Simeão toma o Menino nos seus braços, mas, na realidade, é o Menino que o agarra e conduz. Tanto Maria, mãe jovem, como Simeão, «avô» ancião, levam o Menino nos braços, mas é o próprio Menino que conduz a ambos.

É curioso notar que neste caso, criativos, não são os jovens mas os anciãos. Os jovens, como Maria e José, seguem a lei do Senhor pela via da obediência. Os anciãos, como Simeão e Ana, vêem no Menino o cumprimento da Lei e das promessas de Deus. E são capazes de fazer festa: são criativos na alegria, na sabedoria. Mas é o Senhor que transforma a obediência em sabedoria, por acção do Espírito Santo.

Às vezes, Deus pode conceder o dom da sabedoria mesmo a um jovem inexperiente; basta que esteja disponível para percorrer a via da obediência e da docilidade ao Espírito. Esta obediência e docilidade não são qualquer coisa de teórico, mas trilham a lógica da encarnação do Verbo.

Hoje também nós queremos, como Maria e como Simeão, tomar Jesus nos braços para que Ele Se encontre com o seu povo; mas de certeza só o conseguiremos, se nos deixarmos arrebatar pelo mistério de Cristo. Guiamos o povo para Jesus, se, por nossa vez, nos deixarmos guiar por Ele.

Papa Francisco, Homilia, 2-2-2015

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