A misericórdia na Bíblia

O Regresso do Filho Pródigo, Bartolomé Esteban Murillo
O Regresso do Filho Pródigo, Bartolomé Esteban Murillo

Na Sagrada Escritura, o Senhor é apresentado como «Deus misericordioso». Este é o seu nome, através do qual Ele nos revela, por assim dizer, a sua face e o seu coração. Como narra o Livro do Êxodo, revelando-se a Moisés, Ele mesmo assim se define:«Deus compassivo e misericordioso, lento para a ira, rico em bondade e em fidelidade» (Ex 34, 6). […]

O Senhor é «misericordioso»: este vocábulo evoca uma atitude de ternura, como a de uma mãe pelo seu filho. […]

Depois, está escrito que o Senhor é «compassivo», no sentido que concede a graça, tem compaixão e, na sua grandeza, se debruça sobre quantos são frágeis e pobres, sempre pronto a acolher, compreender e perdoar. É como o pai da parábola tirada do Evangelho de Lucas (cf. Lc 15, 11-32): um pai que não se fecha no ressentimento pelo abandono do filho mais novo mas, ao contrário, continua a esperar por ele — foi ele que o gerou! — e depois corre ao seu encontro e abraça-o, nem sequer o deixa terminar a sua confissão — como se lhe tapasse a boca — tão grandes são o amor e a alegria por o ter reencontrado.[…]

Deste Deus misericordioso também se diz que é «lento para a ira», literalmente, tem um «longo respiro», ou seja, o amplo respiro da longanimidade e da capacidade de suportar. Deus sabe esperar, os seus tempos não são os tempos impacientes dos homens.[…]

E finalmente, o Senhor proclama-se «rico em bondade e em fidelidade». Como é bonita esta definição de Deus! Ela contém tudo. Porque Deus é grande e poderoso, mas esta grandeza e poder revelam-se no amor a nós, que somos tão pequeninos, tão incapazes. A palavra «amor», aqui utilizada, indica o carinho, a graça, a bondade. Não se trata do amor das telenovelas[…]

É a solicitude divina que nada pode impedir, nem sequer o pecado, porque ela sabe ir mais além do pecado, derrotar o mal e perdoá-lo.

Uma «fidelidade» sem limites: eis a derradeira palavra da revelação de Deus a Moisés. A fidelidade de Deus nunca esmorece, porque o Senhor é o Guardião que, como recita o Salmo, não adormece mas vigia continuamente sobre nós, para nos levar à vida.[…]

Papa Francisco, Audiência geral, 13-01-2016

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