RETÁBULO DO ORATÓRIO
O retábulo do Oratório de S. Josemaria foi estruturado em cinco representações: quatro cenas evangélicas e uma cena central. As peças estão interrelacionadas e formam como que uma mensagem sem palavras.
A SANTA MISSA
A cena central, presidida por Jesus crucificado, inspira-se num episódio da vida de S. Josemaria.
Esta peça central refere o momento em que S. Josemaria, ao celebrar a Santa Missa, recebeu uma iluminação sobrenatural, sintetizada nas palavras do Senhor no Evangelho: quando Eu for levantado sobre a terra, atrairei todas as coisas a Mim. – ET EGO, SI EXALTATUS FUERO A TERRA, OMNIA TRAHAM AD MEIPSUM (Jo 12, 32).
O painel recorda, ainda, que o momento auge da vida cristã é a Missa, onde unimos as nossas pequenas renúncias ao sacrifício reparador de Cristo.
Por isso a Missa é o centro e a raiz da vida espiritual do cristão.
1. A SAGRADA FAMÍLIA
A primeira cena do lado esquerdo retrata a Sagrada Família num momento de trabalho e de intimidade doméstica.
Ao representar aquela vida corrente, abençoada pela presença de Jesus, a bancada do artesão ocupa ostensivamente um grande espaço, ao centro. Como se o quadro dissesse que a vida de Jesus, Maria e José não precisa de mais manifestações religiosas para ser plenamente santa e perfeita aos olhos de Deus.
2. AS BODAS DE CANÁ
O segundo relevo do retábulo também fala da grandeza do amor humano e das suas manifestações: representa a boda de Caná, a lembrar o valor da alegria sã e das festas. A naturalidade – a água pura da ribeira – que Jesus transforma num vinho excelente, presta-se a ilustrar a santificação dos afazeres correntes.
A figura de Maria é um desafio artístico muito exigente…
O facto de Nossa Senhora irradiar beleza e felicidade resulta directamente do seu amor a Deus, porque os valores espirituais mais elevados se devem exprimir também no esmero da verdadeira elegância pessoal.
3. A VOCAÇÃO DE MATEUS
Esta cena recorda os momentos especiais, porventura inesperados, em que Deus vem ao encontro de cada um.
Mateus teria todas as razões para não suspeitar de nada. O seu rosto é o espelho da surpresa: «Eu?!», parece perguntar.
Neste painel, tal como os Evangelhos dizem, Mateus está no seu sítio e Cristo passa. Quantas vezes S. Josemaria se serviu desta imagem (um dos seus livros intitula-se Cristo que Passa) para descrever a iniciativa divina, Deus que vem ao encontro do homem.
4. PESCAS MILAGROSAS
O último painel refere-se às pescas milagrosas, momentos de trabalho que Cristo tomou como símbolo da fecundidade apostólica. Uma lição deste baixo relevo é que a santidade, a identificação com Cristo, é intrinsecamente apostólica.
A primeira pesca (cf. Lc 5, 1-11) está intimamente ligada à história da vocação de Simão Pedro e do seu irmão André, e de Tiago e seu irmão João.
A segunda pesca (cf. Jo 21, 1-25) oferece um matiz curioso, sugerido neste relevo: dessa vez, só pescaram peixes grandes, em número bem contado, isto é, chamados pessoalmente por Deus para ser apóstolos. Nesse ambiente particularmente íntimo, revela-Se o Amigo, aquele Jesus que cumpre as palavras do painel central: ATRAIREI TODAS AS COISAS
